Arquivo de Agosto, 2008

Cemitério de pianos

23 Agosto 2008

“Os olhos dela, por um instante, foram um abismo onde fiquei envolto por clareza luminosa. Onde caía como se flutuasse: cair através do céu dentro de um sonho.”

“E o seu rosto: o interior dos seus olhos: era um céu onde existiam novos sentidos: uma nova vida, criada nas suas mãos, mais que perpétua: e era possível acreditar em tudo porque havia apenas certezas na intensidade dos seus olhos.”

José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos.

4 Agosto 2008

Cheguei. Muito calor, abafado. A tempestade chega à noite, como um fogo de artifício. As bicicletas deslizam rápidas com o vento, sao como folhas. Das varandas, sente-se o cheiro da erva e das árvores de forma mais intensa, com as primeiras gotas chuva. E o vento. Refresca. Como uma carícia leve. Ao longe, o fogo de artifício, ainda.

A primeira noite. Continuo à espera.