Arquivos para a Categoria ‘O princípio’

Clandestino (Deolinda)

12 Setembro 2008

Restate

12 Setembro 2008

Regresso. Insisto. Resgatas-me do meio dos e-mails que se acumularam ao longo das férias, dizes tu, sorrindo. Vemo-nos?

Cemitério de pianos

23 Agosto 2008

“Os olhos dela, por um instante, foram um abismo onde fiquei envolto por clareza luminosa. Onde caía como se flutuasse: cair através do céu dentro de um sonho.”

“E o seu rosto: o interior dos seus olhos: era um céu onde existiam novos sentidos: uma nova vida, criada nas suas mãos, mais que perpétua: e era possível acreditar em tudo porque havia apenas certezas na intensidade dos seus olhos.”

José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos.

4 Agosto 2008

Cheguei. Muito calor, abafado. A tempestade chega à noite, como um fogo de artifício. As bicicletas deslizam rápidas com o vento, sao como folhas. Das varandas, sente-se o cheiro da erva e das árvores de forma mais intensa, com as primeiras gotas chuva. E o vento. Refresca. Como uma carícia leve. Ao longe, o fogo de artifício, ainda.

A primeira noite. Continuo à espera.

Por onde andas, Amália?

31 Julho 2008

Por onde andas agora, Amália?

As férias que começaste no dia seguinte engoliram-te, desapareceste do mapa. Ninguém sabe de ti. Nem o google, nem o Hi5, nem o MySpace. Nem quem eu conheço que te conhece. Conspiram para te esconder de mim. O feitiço da bruxa má. A prova do herói.

Gostava de poder estar contigo agora. De te ouvir. Olhar para ti. Para ti. Sorrir. Aquecer-me no teu sorriso. Gostava de te dizer que te amo. Que foi violento descobrir que posso sentir isto ainda. Que não perdi esta capacidade na longa travessia do deserto. Sou capaz. Por ti. Para ti.

Virá o tempo em que te direi estas palavras que agora escrevo. Não me posso esquecer da lição da raposa do principezinho.

Amanhã parto. É a minha vez de mergulhar nas férias. O feitiço da bruxa má. Desencontramo-nos no aeroporto? A prova do herói. Esperar por ti. Como a raposa.

A short love story

31 Julho 2008

Eu sabia…

30 Julho 2008

Quando me afastei, eu sabia que:

  1. a Amália era (continuava) linda, deslumbrante e fascinante;
  2. o meu coração já não era meu (e não o queria de volta);
  3. a Amália era (de facto) a mulher dos meus sonhos;
  4. faria qualquer coisa para ficar com ela para sempre.

Não devia ter saído dali sem ela, mas a violência do impacto toldou-me as reacções. Ela sabe-o, certamente, como eu o soube no meu íntimo mais tarde. Não há explosão sem faísca e não há faísca sem contacto.

Enfim. Vamos entender-nos.

Este é o princípio de uma bela história de amor.

A descoberta

30 Julho 2008

Descobrir que amava Amália foi uma revelação.

Conhecia num contexto profissional, durante algumas semanas. Ela era uma bomba-relógio. Eu andava numa fase complicada, não queria saber de confusões. Tic-tac. Com a chegada do ano novo e o fim do contexto profissional que havia e a fase complicada a teimar em não passar, passámos. Tic-tac. Não nos vimos durante alguns meses. Tic-tac.

Na Primavera, via-a acompanhada de um homem na Ericeira. Amigo, namorado, não sei. Tic-tac. Foi bom falar com ela por momentos, mais nada. Tic-tac. A fase complicada. Os miúdos. O trabalho. Tic-tac.

O Verão trouxe a solidão e a fase complicada afastou-se. Tic-tac. Um trabalho levou-me novamente à cidade onde vive. Tic-tac. Intenso, o trabalho. Mas a escuridão. Tic-tac.

Preparava-me para almoçar com uma amiga, ela entrou. Tic-tac. Aproximou-se sorriu falou. Tinha um brilho intenso, que ofuscava. Tic-tac. Quando se afastou, soube.

Tic-agora faltas tu saber-tac

O início

30 Julho 2008

Serias tu
Com o teu brilho maior que a
Tarde de Verão

Serias tu
de branco reluzente a afastar
A escuridão

Serias tu
Com o teu sorriso de desarmar
Exércitos bárbaros

Eras tu
Depois de ti
Quem poderia mais ser